ENTREVISTAS: Candice fala sobre os talentos da África do Sul e a Tropic of C para a Vogue Alemanha
14.01.2020

A Berlin Fashion Week começou ontem, 13, e já atraiu olhares ao redor do mundo inteiro devido a sua mais nova atração na passarela: o Fashion Talents from South Africa – desfile que reuniu alguns designer da África do Sul em um show em grupo. Candice atendeu a semana e compareceu ao evento, e durante o mesmo concedeu uma entrevista para a Vogue Alemanha onde fala sobre os talentos de seu país natal e sua marca de trajes de banho, a Tropic of C. Confira traduzida abaixo:

A Sul Africana Candice Swanepoel é uma das modelos mais famosas do mundo. Ela viajou para a abertura da Berlin Fashion Week de Janeiro 2020 para apoiar as quatro marcas sul africanas (Clive Rundle, Floyd Avenue, Rich Mnisi e Viviers) que fizeram parte do “Mercedes-Benz Fashion Talents from South Africa” como parte do programa internacional de desenvolvimento da juventude.

A Mercedes-Benz apresentou designer da África do Sul pela primeira vez. Você mesma cresceu lá. Como você entrou em contato com esse mundo?

Eu cresci em uma fazendo com meu irmão, eu usava macacão o tempo todo e brincava na natureza. Quando eu tinha 13 anos eu descobri a Fashion TV, eu assistia todos os desfiles e era fascinada por esse mundo, mas nunca imaginei fazer parte dele porque eu não sabia como. Quando eu tinha 15 anos fui descoberta por um olheiro. Eu lembro de estar sentada na cozinha e nós estávamos sendo aconselhadas a dar uma chance. Fui surreal quando, depois de eu começar a modelar, eu voltei para casa e vi eu mesma na Fashion TV.

Você tinha talentos do mundo da moda da sua casa [África do Sul] na televisão naquela época?

O mundo não estava nem de longe tão conectado quanto hoje. Pouco se via sobre o que acontecia em um país que não possuía uma grande metrópole da moda. O fato de eu ter sido descoberta na África do Sul também foi um milagre. No meio tempo, isso mudou e você entende o quão importante é oferecer aos novos talentos uma plataforma. Porque é isso que importa: muitas pessoas que fazem coisas maravilhosas simplesmente nunca entram em foco porque não têm chance. Por outro lado, existem pessoas como eu que vêm do nada e de repente um novo caminho se abre para elas. Este grupo deve crescer. Além disso, a indústria da moda está saturada. De onde viria a nova inspiração, se não de países ou grupos que até agora foram negligenciados? Existe muito potencial no continente africano que não se esgota há muito tempo e um grande entusiasmo pela moda. Estive recentemente em Ruanda e as pessoas que vi lá estavam mais preocupadas com a aparência do que na cidade de Nova York.

Tem alguma coisa que une os talentos de seu país natal? Esteticamente, mas também idealmente?

Talvez pareça clichê, mas quando você cresce na África do Sul, recebe uma apreciação especial pela natureza, um respeito especial. Nesse sentido, os designers da África do Sul sempre fizeram exatamente o que todo mundo está falando agora: tendo consciência de como fazemos com o nosso meio ambiente e com nossos parceiros seres humanos.

Você faz isso você mesma como designer? Em 2018 você começou a Tropic of C, uma linha de trajes de banho que agora se tornou muito bem sucedida.

Meus próprios designs são fortemente influenciados por minha casa, pelos materiais e cores com que cresci. A produção é sustentável e sempre que havia uma chance de que minha marca pudesse retribuir algo às comunidades, eu queria usá-la, mas sem me restringir à África do Sul. Por exemplo, há mulheres em pequenas empresas de artesanato na Colômbia que produzem sacolas para mim. Acho que chegou a hora para marcas pequenas e transparentes como a minha ou os quatro estilistas que vimos na Berlin Fashion Week hoje. As pessoas estão mais conscientes de como querem consumir. Todos nós tivemos tantos anos de lavagem cerebral que fomos bombardeados com apelos para comprar isto ou aquilo. Agora, muitas pessoas querem sentir uma conexão com o que têm novamente.

Como aconteceu que você fundou sua própria marca de trajes de banho e entrou em uma área em que já havia trabalhado como modelo?

Quando comecei minha marca, senti que não conseguia encontrar roupas de banho em nenhum lugar que correspondesse às minhas idéias. Comprei muito no Brasil porque os cortes eram muito bons, mas não gostei muito dos materiais e cores. Eu estava trabalhando para a Victoria’s Secret na época e quando eles interromperam sua linha de roupas de banho, comecei a minha. Isso não entrou em conflito com a minha carreira de moda, mas a complementou. Tudo veio naturalmente porque minha mãe era uma professora de aeróbica que costumava fazer suas roupas sozinha. Então eu peguei isso dela. Eu também cresci perto do mar e sempre fui obcecada pela vida na praia. Quando eu fundei a marca, eu estava grávida, então tirei algo de todo o circo da moda e tive tempo para pensar em tudo e formar uma equipe.

E como foi deixar de representar apenas outras marcas, mas representar a sua?

Ser criativa foi um alívio para mim. Eu me dediquei a esse negócio e peguei tudo em minhas próprias mãos, desde os designs até as campanhas. Eu queria mostrar o que acho bonito – depois de apresentar o que os outros acharam bonito por tanto tempo. Esta marca é o meu terceiro bebê.

Fonte | Tradução e Adaptação: Candice Swanepoel Brasil.